segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Colonização Espanhola

Videoaula - Parte 1 
Vedeoaula - Parte 2

LEITURA COMPLEMENTAR

SANGUE E SUOR NA CONSTRUÇÃO DE UM IMPÉRIO COLONIAL
Os espanhóis iniciaram a ocupação da América desde a chegada de Cristóvão Colombo às ilhas do mar do Caribe, em 1492. Foi ele quem fundou, numa dessas ilhas, chamada de Santo Domingo, o primeiro estabelecimento espanhol no Novo Mundo. Como era o dia 24 de dezembro, Colombo deu ao forte ali construído o nome de Natividad (Natal, em castelhano).
Além de Santo Domingo, os espanhóis também ocuparam outras ilhas do Caribe, entre elas as que hoje se chamam Cuba, Porto Rico e Jamaica. Os espanhóis iniciaram a conquista da parte continental da América somente depois que o metal precioso se esgotou nessas ilhas e sua população nativa praticamente desapareceu. Foi então que teve início o enfrentamento entre os espanhóis e os impérios asteca e inca.

A CONQUISTA DO CARIBE 
“OS ESPANHÓIS COMEÇAM A PRATICAR CRUELDADES”

Que direito tinha a Coroa espanhola de apoderar-se de uma terra que já era habitada e que, portanto, tinha donos? Essa questão foi muito debatida na época por teólogos e juristas. A principal justificativa era que a ocupação tornaria possível ensinar a religião de Cristo aos habitantes da nova terra.
Porém, para os conquistadores vindos da Espanha, esse objetivo estava longe de ser o mais importante. Padres foram os primeiros a denunciar isso. Um deles era Bartolomeu de Las Casas. Chocado com a violência dos conquistadores nas ilhas do Caribe, ele escreveu o seguinte:
"Os espanhóis, com seus cavalos, suas espadas e lanças começaram a praticar crueldades estranhas; entravam nas vilas, burgos e aldeias, não poupando nem as crianças e os homens velhos, nem as mulheres grávidas ( ... ) e as faziam em pedaços como se estivessem golpeando cordeiros fechados em seu redil."
LAS CASAS, Bartolomeu de. O Paraíso destruído. A sangrenta história da conquista da América Espanhola. Porto Alegre, L8cPM, 1984. p.32.
Na ilha de Santo Domingo, os indígenas foram brutalmente explorados como mão de obra para a agricultura e para a extração de ouro. Alguns padres procuraram defendê-los. O espanhol Antônio de Montesinos foi um deles. Dias antes do Natal de 1511, pronunciou um sermão, dizendo o seguinte aos colonizadores:
"Eu sou a voz que clama no deserto!
Esta voz afirma que estais em pecado mortal, por causa da crueldade e tirania que usais com esta gente inocente; com que direito e com que justiça conservais em tão cruel e horrível servidão a esses índios? Com que autoridade fizestes guerras tão detestáveis a esta gente, que estava em suas terras, mansa e pacífica, matando tão grande número dela? Como é que vós os trazeis tão oprimidos e fatigados sem alimentá-los ou curá-los quando adoecem com o excesso de trabalho, que morrem assassinados para extrair o ouro de cada dia?
E que cuidado tomastes para que sejam doutrinados e batizados, para que conheçam a seu Deus e criador, ouçam missa e guardem as festas e domingos?
Eles não são homens? Não têm almas racionais? Não sois obrigados a amá-los como a vós mesmos? Não compreendeis isso? Como estais tão adormecidos? Ficai certos de que não podeis vos salvar assim."
LAS CASAS, Bartolomeu de. História de Ias índias. In: Coletânea de documentos históricos para o 1" Grau: 5" a e'séries. São Paulo, SE/Cenp, 1981. p. 83.


A ENCOMIENDA E A MITA
TRABALHANDO PARA O IMPÉRIO
À medida que os nativos iam caindo sob o domínio dos espanhóis, passavam a ser obrigados a lhes pagar tributos e trabalhar para eles. Desde o início do século XVI, a maneira mais comum de um espanhol obter o trabalho dos indígenas era conseguir uma Encomienda. Era esse o nome de um privilégio que a Coroa concedia a alguns de seus súditos. Quem recebia uma encomienda passava a ter autoridade sobre uma comunidade indígena, com o direito de exigir trabalho de seus habitantes. De acordo com as leis espanholas, a obrigação de quem recebia uma encomienda era proteger os indígenas que ela abrangia e ensinar-lhes a religião cristã.
Para obrigar os indígenas a prestar serviço para os espanhóis, a Coroa espanhola fez uso também da mita, o sistema inca de trabalho obrigatório. O sistema foi adaptado e passou a funcionar do seguinte modo: os chefes indígenas eram obrigados a enviar um certo número de indígenas para trabalhar durante vários meses por ano para os espanhóis. As leis espanholas mandavam que se pagasse um salário e que fossem asseguradas boas condições de trabalho aos indígenas que estavam obrigados à Mita. Mas era raro que as leis fossem cumpridas. No Império Inca a mita não colocava em risco a vida dos trabalhadores. Porém, sob o domínio espanhol, muitos nativos morreram trabalhando nesse sistema.
Foi por meio da mita que os espanhóis exploraram as ricas minas de prata de Potosi (Bolívia) e Zacatecas (México). O trabalho em minas profundas era extremamente árduo.
Poucos indígenas sobreviviam para voltar a suas casas, que podiam se localizar a centenas de quilômetros de distância.
A escravidão dos indígenas era proibida pela Coroa, a não ser em certos casos, como o de povos que não aceitavam tornar-se cristãos e combatiam os espanhóis. Porém, na prática, os indígenas de uma encomienda ou os que estavam sujeitos à mita eram tratados como escravos.
Na América espanhola, milhares de indígenas morriam a cada ano, devido às duras condições de trabalho, doenças trazidas pelos europeus, má alimentação, maus-tratos e violências de todo tipo cometidas pelos senhores. Nas Antilhas, toda a população indígena foi dizimada, e o trabalho passou a ser feito por escravos negros. Nem a Igreja nem a Coroa se opunham à escravidão dos negros.

CONSTRUIR UM IMPÉRIO, DIFUNDIR O CRISTIANISMO COM O MAIOR LUCRO POSSÍVEL 

Durante muito tempo, a maior parte dos historiadores acreditava que o principal objetivo da colonização espanhola era explorar as riquezas da América. Na atualidade, porém, cada vez mais historiadores veem essa época de uma forma diferente, a qual vamos conhecer a seguir.
Os reis espanhóis estavam muito interessados no ouro e na prata da América e em qualquer oportunidade de lucro que ali pudesse existir. Mas, além de obter riquezas, os reis espanhóis desejavam também aumentar o número de súditos. Assim, precisavam impedir que os indígenas fossem dizimados ou se tornassem simples escravos, pois escravos não podiam ser súditos.
Além disso, como você já sabe, propagar o cristianismo era a principal justificativa para a ocupação das terras americanas. Mas esta não era apenas uma justificativa, era realmente um dos principais objetivos do governo espanhol. Os novos súditos teriam que ser cristãos, porque essa era a religião do rei.
E os particulares que vieram para a América? Assim como a Coroa, eles também estavam interessados em riquezas. Porém, muitos dos que vieram para as colônias espanholas formaram famílias, que ali se enraizaram e permaneceram por muitas e muitas gerações.
Isso indica que o objetivo dessas pessoas não era apenas enriquecer e voltar para a Europa. Mesmo que quisessem, não seria nada fácil retornar. Uma viagem pelo oceano, naquela época, significava meses de viagem, tormentas, ataques de piratas ou corsários, possível falta de alimentos, doenças e outras dificuldades.
As cidades construídas na América também revelam as pretensões do domínio espanhol. Eram sólidas e bem planejadas, com catedrais, mosteiros, conventos. Por que os espanhóis construiriam tudo isto se considerassem as colônias como simples fornecedoras de riquezas? Esta reflexão vale também para a colonização portuguesa.
Em resumo, com a colonização da América, a Coroa espanhola pretendia expandir seu império, ampliar o espaço ocupado pela civilização espanhola. Mas, por outro lado, a Espanha também organizou suas relações comerciais com as colônias de um modo que lhe permitisse extrair o máximo possível de lucros. Esta forma de relacionamento com as áreas coloniais fazia parte do mercantilismo, como vimos em aula anterior. Os historiadores a chamaram de Sistema Colonial.

O SISTEMA COLONIAL – Pacto Colonial

Para compreender as relações entre as colônias da América e os países colonizadores europeus, precisamos conhecer os seguintes conceitos:
·Metrópole: o país que tinha o domínio sobre a colônia. Na metrópole eram tomadas as decisões sobre o funcionamento da colônia.
·Colônia: a área dominada pela metrópole, à qual fornecia riquezas como metais preciosos e outros produtos.
·Monopólio comercial: o direito que os comerciantes da metrópole tinham de, sem concorrência, comprar os produtos coloniais e vender na colônia os produtos trazidos da metrópole.
·Complementaridade: o princípio pelo qual a colônia não deveria concorrer com a metrópole, e sim complementar a economia metropolitana. Segundo esta ideia, somente os comerciantes autorizados pela metrópole poderiam atuar nas colônias. Assim, as autoridades metropolitanas poderiam ter controle sobre o comércio, para que os lucros se concentrassem na metrópole. A colônia deveria também fornecer os produtos que a metrópole não poderia produzir, devido ao clima, por exemplo. É por esse motivo que as colônias preferidas eram as localizadas em clima tropical.

Tabaco, pérolas, peles, anil e cochonilha (corantes) eram alguns dos principais produtos levados da América. Mas o mais importante, do ponto de vista da Coroa espanhola, eram os metais preciosos. Até 1600, além do ouro, os navios haviam levado para a Espanha cerca de 25 mil toneladas de prata. Com essas riquezas, a Espanha tornou-se a mais poderosa potência do século XVI. Por esta razão, esse período ficou conhecido como o Século de Ouro da história espanhola.

O Pacto Colonial pode ser definido como um conjunto de regras, leis e normas que as metrópoles impunham às suas colônias durante o período colonial. Estas leis tinham como objetivo principal fazer com que as colônias só comprassem e vendessem produtos de sua metrópole. Através deste exclusivismo econômico, as metrópoles européias garantiam seus lucros no comércio bilateral, pois compravam matérias-primas baratas e vendiam produtos manufaturados a preços elevados.


PARA ONDE FOI O OURO AMERICANO?
"A ESPANHA TINHA A VACA,  MAS OUTROS TOMAVAM O LEITE"
O governo espanhol procurou manter o máximo do ouro e da prata dentro de suas fronteiras. Mas todas as medidas adotadas com esse objetivo foram inúteis, e a maior parte do metal precioso acabou deixando a Espanha. Os espanhóis tiveram de amargar a decadência econômica de seu país já a partir de 1600, aproximadamente.
Para onde foi essa riqueza? Uma grande quantidade foi usada para pagar as despesas com as guerras. Uma parte foi usada para fazer joias ou para a decoração de igrejas e palácios. Outra parte, talvez a maior de todas, foi entregue como pagamento das compras efetuadas em outros países. O escritor uruguaio Eduardo Galeano descreveu essa situação com a seguinte frase: "A Espanha tinha a vaca, mas outros tomavam o leite".
O princípio mercantilista segundo o qual possuir metais preciosos era o mesmo que possuir riqueza levou outras nações (Holanda, Inglaterra, França, entre outras) a aumentar as vendas para a Espanha, pois, quanto mais vendiam, mais ouro e prata recebiam como pagamento. Daí surgiu outro princípio importante para a economia da época: o de que o comércio também produz riqueza.
De fato, os países que vendiam mais do que compravam tinham um saldo positivo na balança comercial. Deste modo, acumulavam ouro e prata, pois os pagamentos eram feitos com esses metais. Graças ao comércio, esses países conseguiram não só acumular metais preciosos como se tornaram mais ricos do que a própria Espanha. Isso foi possível porque, para vender aos espanhóis, os países fornecedores passaram a produzir mais.
Com isto, muitos dos que tinham dinheiro sentiram-se estimulados a utilizá-lo para abrir ou ampliar manufaturas. Assim, mais trabalhadores puderam encontrar serviço, o governo pôde arrecadar mais impostos, e a riqueza ia se acumulando nesses países.

VICE-REINOS E CAPITANIAS GERAIS
A ESPANHA DIVIDE SEUS DOMÍNIOS NA AMÉRICA
À medida que se expandia o território sob domínio hispânico na América, a Coroa espanhola pouco a pouco o dividiu em partes menores. Cada uma dessas partes, chamadas vice-reinos e capitanias-gerais, ficava a cargo de um governante diferente.
Um dos objetivos dessa divisão era facilitar o controle sobre o território e dar mais eficiência à administração: as dificuldades que um governante encontrava para controlar e administrar uma parte do território eram menores do que se fosse responsável por toda a colônia. Pretendia-se também evitar que o poder na colônia ficasse concentrado nas mãos de um único governante. Isso poderia representar perigo para a Coroa, que poderia ter sua autoridade desafiada por um governante com tanto poder.
Em cada vice-reino, a mais alta autoridade era o vice-rei, nomeado diretamente pelo monarca espanhol. O primeiro vice-reino surgiu no México, em 1535. Chamava-se Vice-Reino de Nova Espanha e, além do México, incluía quase toda a América Central.
Logo depois, foi fundado o Vice-Reino do Peru (1543), abrangendo praticamente toda a América do Sul atual (com exceção da parte portuguesa, que daria origem ao Brasil).
Mais tarde, no século XVIII, o Vice-Reino do Peru foi desmembrado para formar mais dois vice-rei nos:
·Em 1717, foi formado o Vice-Reino de Nova Granada, abrangendo o território que deu origem a quatro países atuais: Colômbia, Panamá, Equador e Venezuela.
·Em 1771, a Espanha criou o último dos vice-reinos da América colonial: o Vice-Reino do Prata. Seu território correspondia ao que hoje é a Argentina, o Paraguai, o Uruguai e grande parte da Bolívia.
As capitanias-gerais - Flórida, GuatemaIa, Cuba, Venezuela e Chile - eram territórios menores, subordinados aos vice-reis. 
Fonte: FIGUEIRA, Divalte Garcia (Para entender a HISTÓRIA). Ed. Saraiva  

Não deixe de conferir o exercício em slide. CLIQUE AQUI.
 Você pode também baixar a aula em MP3.
Colonização Espanhola

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.